PARTE 01: Referências pra lá de Notáveis!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Ao mencionarmos a série OS NOTÁVEIS, a analogia inicial irá nos remeter a LIGA EXTRAORDINÁRIA de Alan Moore. Porém, se a inspiração para a composição de uma superequipe formadas por personagens ilustres da história brasileira teve de fato uma forte influência na obra do autor britânico, o mesmo não pode ser dito sobre o roteiro e a temática da série.
Para elucidar possíveis dúvidas e evitar inevitáveis equivócos futuros é que iremos dedicar estes posts previews sobre a série.
Devo salientar que quando a ideia desta criação me passou pela cabeça - em meados do ano 2000 -, eu sequer tinha assistido a pélicula - que por sinal não tem nada a ver com a obra original -, tão pouco, tive algum contato com a edição impressa do título de Moore. 
Então em que momento a LIGA entra nesta história?  - pergunta-me o incrédulo leitor.
 
Fiquei a par da existência desta série por meio de uma matéria publicada na extinta revista Wizard # 1 (pela Hangar 18). Naquela edição - única por sinal - a Wizard apontava qual seria um possível elenco ideal para um filme da Liga Extraordinária, além de nos apresentar a trama genial desenvolvida por Moore.
Achei a ideia formidável e aquilo me reportou de imediato a antiga série animada OS DEFENSORES DA TERRA - exibida no Brasil pelo SBT - que já tinha despontado em mim o desejo de produzir algo similar. 
Mas vontade é coisa que vem e que passa. Principalmente, quando nos falta a inspiração ou a fundamentação para se seguir em frente.
Mas em 2000 a coisa seria diferente (?). A associação das duas propostas me inspiraram em tentar fazer o mesmo no contexto brasileiro. 
Mas por onde começar?
Em ambos os casos citados, os personagens eram de ficção e originalmente possuíam séries individuais (solo). A grande sacada foi fazer com que eles passassem a coexistir em um universo comum e coeso. Moore foi ainda além, ao propor a unificação de personagens clássicos da literatura inglesa.
Acrescentar a essa proposta um tempero nacional, tornou-se um desafio instigante e divertido.
As minhas primeiras incursões seguiram a proposta original de reunir personagens da ficção nacional.
E assim, vários nomes foram saltando a minha mente: Macunaína, Jerônimo (o herói do sertão), O Patrulheiro Rodoviário, Capitão Asa, Saci...
Essa lista só tinha a ser ampliada, mas eu já me deparava com o primeiro e grande problema: a temporalidade! 
Qual o corte temporal a ser explorado? 
E quais personagens eram contemporâneos?  
Foi então que a figura de LAMPIÃO entrou na listinha e fez toda a diferença. 
O cangaceiro era um personagem histórico real, mas que graças a literatura do cordel, principalmente, tinha adquirido o status de personagem de ficção - quase folclórico - junto ao imaginário popular.
Ao me deparar com Lampião - no sentido figurativo e criativo - é que encontrei o fio condutor para a construção da série.

Continua...